Só
para ter uma idéia de sua prevalência, a
ocorrência de giárdia em São Paulo
é de 38% dos cães submetidos a exames de
fezes. No Rio, o índice chega a 80%, segundo uma
pesquisa da professora Solange Gennari, especialista em
doenças parasitárias, da Faculdade de Medicina
Veterinária e Zootecnia da USP.
O período de incubação varia de 1
a 4 semanas. Depois disso, o animal começa a manifestar
os sintomas. Nos filhotes, eles são mais fáceis
de serem identificados: diarréia, vômito
(tipo bile) e, em casos mais crônicos, perda de
peso e desidratação. Se não for tratada
a tempo, suas complicações podem ser fatais.
A transmissão da Giardíase canina ocorre
através das fezes dos animais infectados, presentes
no meio ambiente, na água e em alimentos contaminados,
além de pelagem dos animais. A doença é
de difícil diagnóstico nos exames de rotinas
clinicas, porque a eliminação dos cistos
- como são chamadas as formas de evolução
desses protozoários ocorre de forma intermitente,
explica a professora da USP.
A vacina deve ser dada em duas doses subcutâneas,
com intervalos de duas a quatro semanas. A partir daí,
a revacinação anual, com dose única.
Cada aplicação custa, em média, R$
35,00. Qualquer animal só deve ser vacinado segundo
orientação e após exame clinico do
veterinário. O veterinário após examinar
o paciente saberá se ele pode ou não ser
vacinado.
Nos EUA, a vacina forneceu boa proteção,
mostrando resultados animadores. Não há
estudos suficientes para confirmar sua eficácia
em animais já infestados, em especial com infecções
crônicas, mas há indícios de que ela
possa combater o agente e ajudar na recuperação
do cão, diz a professora Solange.
Para o veterinário Jéferson Garotti, o problema
é que os cistos sobrevivem por longos períodos
em ambientes onde o animal contaminado fez suas necessidades
fisiológicas.
Isso exige uma atenção ainda maior na limpeza
e desinfecção do ambiente, com uso de água
fervente e de desinfetantes a base de amônia quaternária,
explica Garotti. Por isso, acredito que a vacina seja
uma boa maneira de prevenir, diz.
Segundo o Laboratório Fort Dodge, que importa a
vacina, ela não tem contra indicações.
Reações adversas, como anafiláticas
e alérgicas, não estão descartadas,
mas variam, dependendo do organismo de cada animal. Por
enquanto, a vacina é exclusiva para cães.
REVELANDO
A Giardíase CANINA
- Testes de rotina dificultam o diagnóstico da
enfermidade. O exame direto de fezes pode revelar falsos
resultados negativos. Os testes tradicionais de flutuação
são inadequados e poucos sensíveis em detectar
a Giardíase. A não repetição
desses testes pareadamente, pode comprometer o sucesso
do diagnóstico laboratorial (1 amostra = 70% de
acerto / 3 amostras = 96% de acerto).
- Estudos brasileiros constataram a verdadeira amplitude
do problema: Recentes estudos realizados em laboratórios
particulares em várias regiões do Brasil,
revelam uma alta prevalência de giárdia em
todo o Brasil. São Paulo 38%; Rio de Janeiro 80%;
Minas Gerais 32%; Santa Catarina 34%; Paraná 70%;
Rio Grande do Sul 38%.
- Os tratamentos de rotina nem sempre melhoram a condição
geral do animal: Os tratamentos nem sempre curam as infecções.
Os tratamentos nem sempre previnem as reinfecções.
Os tratamentos podem causar efeitos colaterais. Alguns
medicamentos normalmente usados não possuem indicação
específica para cães.
APRESENTANDO
A SOLUÇÃO DA GIARDIASE
Um estudo realizado nos EUA, com 7.500 cães revelou
a real ameaça da Giárdia em todo o país.
Em recente levantamento, utilizando técnicas de
Elisa, verificou-se que a giárdia está muito
mais difundida na população canina nos EUA
do que se pensava. Naquele país, a giárdia
é predominante em aproximadamente 10% dos animais
bem tratados, 36 a 50% em filhotes e, ao redor de 100%
em animais confinados em canis. Embora se acreditasse
que a giárdia fosse uma ameaça apenas em
área rurais, a maior prevalência foi nas
grandes cidades.
Vacinação com Giardiavax: A primeira e única
vacina que auxilia na prevenção da doença
e na diminuição da eliminação
dos cistos de giárdia em cães. Além
disso, a vacina apresenta algumas vantagens em relação
ao tratamento usual: melhor custo benefício para
os proprietários, animais vacinados permanecem
protegidos durante um ano; a contaminação
ambiental é reduzida drasticamente; O POTENCIAL
DE TRANSMISSÃO PARA OUTROS ANIMAIS E SERES HUMANOS
TAMBÉM DIMINUI.
Os fatos ligados a Giardíase
A giárdia pode ser encontrada em quase toda amostra
de água não filtrada.
Infecções por giárdia podem causar
significativas alterações sistêmicas,
entre elas: anorexia, letargia, vômitos, diarréia
e perda de peso.
Animais doentes são potenciais fontes de infecção
para os seres humanos e outros animais. Recentes descobertas
levaram alguns pesquisadores a acreditar que a transmissão
dentre homem-animal é bem maior do que se relatava.
A ingestão de apenas 10 cistos já é
capaz de desencadear a infecção clinica
em humanos e cães.
Animais assintomáticos, são cada vez mais
freqüentes, aumentando a população
de portadores não tratados.
Ciclo
Evolutivo
O
homem ingere alimentos ou água contaminados com
os cistos. As moscas e baratas têm papel importante,
a exemplo do que ocorre na amebíase e em outras
doenças.
Os cistos percorrem a porção inicial do
tubo digestivo, sem serem atacados pelo suco gástrico.
Só no intestino delgado, ocorre o desencistamento,
liberando novos trofozoítos que se fixam na mucosa
intestinal, determinando o ínicio da parasitose.
Ainda que as giárdias careçam de capacidade
para invadir os tecidos, como acontece com as amebas,
são capazes de desenvolver uma manifestação
patogênica. Como são em grande número,
podem chegar a cobrir amplas áreas da mucosa, interferindo
nas funções de absorção de
nutrientes orgânicos. O hospedeiro eliminará
com as fezes novos cistos que irão contaminar o
meio.
Profilaxia
e Tratamento
A
prevenção consiste na educação
sanitária, higiene individual, proteção
dos alimentos, tratamento da água, combate aos
insetos vetores mecânicos, como moscas, etc.
O tratamento dos doentes consiste no uso de Nitroimidazóis
(Ormidazol).