FUNCIONALIDADE
DA CAUDA
A cauda constitui a última porção
da coluna vertebral, seguindo-se ao sacro.
É estruturada por vértebras denominadas
coccigianas e revestidas por músculos e pele. O
formato da cauda natural é, aproximadamente, o
de um cilindro muito alongado com a ponta afilada ou o
de um cone muito comprido que afina gradualmente.
A cauda é um apêndice que, ao contrário
de todas as demais regiões da coluna, possui um
número variável de vértebras; mas
que estão sujeitas (exceto no que se refere ao
número) às mesmas regras que regem todas
as demais regiões da coluna vertebral, isto é,
são proporcionalmente mais curtas e largas, ou
mais compridas e estreitas, simultaneamente ou de acordo
com as variações de todo o conjunto.
Há uma diminuição gradual do tamanho
de cada um das vértebras coccigianas, ou caudais,
como também são chamadas, medida que se
aproximam da sua extremidade livre. O tamanho diminui
gradativamente das primeiras para as últimas, em
graus variados, de forma que as mais próximas ao
corpo, sendo maiores, são mais largas, e por isso
a cauda, não importando o seu tamanho, é
sempre mais grossa na sua base do que na ponta.
O ponto por onde a cauda emerge na garupa é a base
da cauda, também chamada de raiz da cauda, e é
justamente a região através da qual ela
se junta eternamente à garupa e constitui a sua
inserção e a sua porção de
maior diâmetro. A sua última extremidade
é conhecida por ponta da cauda.
Entretanto as primeiras vértebras caudais sempre
ficam incluídas dentro da garupa, mesmo naqueles
casos em que o cão nasce sem cauda (anuro) e por
esse motivo o ponto real da sua junção ao
sacro nunca é visível externamente.
Como já foi visto, a inserção da
cauda está intimamente ligada ao comprimento do
ílio, uma vez que este se articula com o sacro,
do qual a cauda é a continuação imediata.
Ílios longos são mais estreitos e muito
inclinados porque se adaptam à qualidade de toda
a coluna, que, nesse caso, possui todas as suas vértebras
e as sacrais, proporcionalmente mais compridas e estreitas.
Já no caso dos ílios mais curtos, pela mesma
razão as garupas são como eles, mais curtas
e menos inclinadas.
Já que a inclinação da garupa está
relacionada com a articulação sacroilíaca,
a cauda de inserção alta é aquela
que decorre de um ílio curto e de pouca inclinação
e tem sua raiz emergido logo após a ponta da garupa,
isto é, no término da linha superior.
E, no caso de garupas longas e muito inclinadas, ocorre
a cauda de inserção baixa, cuja raiz fica
bem distante da ponta da garupa, fazendo com que, no trecho
entre elas, ocorra um arredondamento pronunciado.
No caso da cauda de inserção em nível
com a linha superior, pressupõem-se um ílio
de comprimento moderado e, nesse caso, a garupa na porção
próxima à base da cauda tem um arredondamento
discreto, porém evidente.
As variações no comprimento do ílio
e as conseqüentes inclinações de garupa
são muito grandes e produzem, igualmente, tipos
intermediários de inserção de cauda.
O porte da cauda é a forma pela qual a cauda é
levada e isso depende do comprimento do ísquio.
O porte de cauda deve ser sempre avaliado estando o Cão
em atenção ou em movimento.
A musculatura d parte inferior da cauda tem origem no
ísquio e, sempre que ele for muito curto, ela será
portada muito alta (cauda de porte alto) ao passo que,
quando ele for comprido, será cauda de porte baixo.
FIGURA
– INSERÇÃO DE CAUDA
TIPOS DE CAUDAS
Da
combinação dos comprimentos desses dois
ossos dos coxais, o ílio e o ísquio, resultam
de vários tipos de porte de caudas:
Cauda
portada baixa: Pressupõe ílio e ísquio
muito compridos (Galgos). Quando levada alta, como ocorre
com o Afghan, indica que o ílio e longo e o ísquio
é muito curto.
Cauda
portada no nível da linha superior: Indica um ílio
e um ísquio de proporções moderadas
para longas. Quando se eleve acima desse nível,
é porque o ísquio é ais encurtado
proporcionalmente o grau da elevação. É
o tipo de cauda que devem ter os Setters, Pastores, etc.
Cauda
de porte inclinada: É a cauda portada em um ângulo
de 45 graus em relação à garupa e
indica um ílio de tamanho moderado para longo,
associado a um ísquio curto, como acontece com
o Poodle.
Cauda
hirta: É portada de forma aparentemente rígida,
sem curvaturas de qualquer natureza.
Cauda
ereta: É uma cauda portada hirta, perpendicular
à garupa; resulta, no geral, de uma inserção
alta e de um ísquio de proporções
moderadas (Terries). É comumente como cauda alegre.
Cauda
portada por cima da garupa ou por cima da linha superior:
É um indicativa de tanto o ílio quanto o
ísquio serem curtos – a inserção
e porte são curtos. É o caso das caudas
dos Cães Árticos no geral, do Bichon Frise,
etc.
Cauda
de escorpião: É uma cauda ereta que se arqueia
para a frente, como se fosse a parte final do corpo desse
artrópode. Tem por finalidade aumentar o peso corporal
para a frente, tornando a propulsão mais eficiente;
por esse motivo é sempre uma falta. Em certas raças
com inserção de calda alta que eram sujeitas
ao corte de cauda, proibido atualmente por determinação
de algumas entidades cinófilas, o peso da cauda
é elevado para a frente pela mesma razão;
e isso ocorre porque as raças foram selecionadas
através dos tempos com cães de cauda operada,
daí a adequação do peso d cauda à
propulsão. Pela observação do porte
das caudas desses cães, é muito fácil
avaliar a qualidade do posterior e da sua ação.
No caso de caudas de inserção baixa, isto
também é conseguido, mas, ao contrário,
colocando a cauda par trás ou por entre as pernas.
Cauda
enrolada: apresenta pelo menos um volta completa a partir
da sua raiz, como é o caso do Akita.
Cauda
em rosca: apresenta mais de uma volta, como o Pug e o
Basenji.
Cauda
saca-rolhas: Apresenta múltiplas nodosidades fazendo
verdadeiro ziguezague.
O comprimento da cauda também poderá influenciar
no porte: caudas mais longas são mais difíceis
de serem elevadas, ao contrário das mais curtas.
Nem sempre as vértebras se apresentam retas e lisas.
É possível que ocorram desvios da direção
da cauda e até mesmo nodosiddes. Caudas enroscadas,
enroladas e em saca-rolhas são exemplos disso,
e os padrões sempre indicam quando estes desvios
são típicos, portanto serão sempre
faltas sérias em caudas de raças que não
devam apresentá-los.
É precisamente através da cauda que se pode
determinar a natureza das demais vértebras que
se encontram escondidas pelos tecidos que revestem o pescoço
e o tronco.
FIGURA – TIPOS DE CAUDA + CAUDA DO ROTTWEILER DO
SITE (PADRÃO)
Fonte: Parte 38, integrante do livro inédito de
Hilda Drumond, cinóloga brasileira de renome internacional